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Trabalhar
no terceiro setor exige até MBA
O trabalho no terceiro setor é muitas vezes motivado por satisfação
pessoal. Mas isso não significa que as ONGs (organizações
não-governamentais) escolham profissionais de maneira improvisada
e sem nenhum método.
Pelo contrário, tornam-se cada vez mais exigentes. Entre as qualificações
para cargos disponíveis, estão conhecimento de três
idiomas e experiência de cinco anos. Já existe até
MBA para "ongueiros".
As opções de carreira também são variadas,
incluindo profissionais das mais diversas áreas, de ciências
sociais a biologia.
Os salários ainda são menores do que os das empresas privadas
(o segundo setor) e não são comparáveis aos pagos
pelo governo (primeiro setor). Mas o trabalho, na opinião dos profissionais,
oferece ganho pessoal difícil de encontrar em outros campos.
"O terceiro setor ocupa 2,2% da mão-de-obra do país
e tem potencial para ocupar 7%", diz Luiz Carlos Merege, coordenador
do Centro de Estudos do Terceiro Setor da Escola de Administração
de Empresas de São Paulo, ligada à Fundação
Getúlio Vargas.
Sem euforia
Apesar de concordarem sobre o crescimento da demanda, consultores ouvidos
pela Folha dizem que não há motivo para euforia. "Sem
dúvida, é um mercado que se está abrindo, que caminha
para a profissionalização, mas ainda não está
maduro", analisa Tânia Casado, vice-coordenadora do Centro
de Estudos do Tercei- ro Setor da Fundação Instituto de
Administração, da USP (Universidade de São Paulo).
Para Sergio Napchan, consultor da Nicholson para práticas de saúde
e terceiro setor, o cenário econômico ruim impede que haja
mais contratações. "As equipes são muito enxutas",
afirma.
A prioridade de quem busca uma colocação em ONG não
é o salário. Segundo a professora Tânia Casado, o
compromisso com uma causa social é uma característica desse
profissional.
Além dos salários, outra desvantagem é a ausência
de planos de carreira ou de benefícios na maioria das entidades.
Mesmo assim, há quem tenha todas essas vantagens na iniciativa
privada e ainda queira experimentar a troca. "Já recebemos
altos executivos interessados em redirecionar a carreira para o terceiro
setor", conta Napchan.
Geralmente, eles conseguiram cargos altos muito cedo. "Já
ganharam dinheiro nos bancos, agora querem um trabalho que equilibre o
espírito", afirma Gerson Correia, da consultoria DBM
Fonte: http://www.uol.com.br/fsp/empregos/ce2909200201.htm
, por FLÁVIA MARREIRO
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