O SALTO DE UMA CRIADORA DE TALENTOS
Ela comanda o mais emblemático pólo de excelência e modernidade no ensino da América Latina: a FAAP - Fundação Armando Alvares Penteado, instituição de referência em arte, negócios e tecnologia e que tem sido sempre gerida por grandes talentos femininos
Por PERLA NAUM
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Dinâmica nos negócios, sensível para as artes e obstinada educadora, Celita Procópio de Carvalho expande os domínios da FAAP
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Vital, energética, inquieta, Celita é um daqueles dínamos de energia transformadora, capazes de prodígios na administração de oportunidades, no estabelecimento de metas de excelência nas questões do aprendizado e do conhecimento no século XXI e até na administração de algumas aparentes contradições. Ao assumir, em 1991, a Presidência do Conselho dos Curadores da FAAP, Celita Procópio de Carvalho se defrontou com os mais significativos desafios do mundo globalizado e tecnológico. Nessa nova realidade tratou de cuidar do aperfeiçoamento de um sonho acalentado pelo Conde Armando Alvares Penteado e sua mulher, a Condessa Annie, representantes das mais caras tradições da elite paulista do início do século XX.
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Desenhada pelo próprio Armando Alvares Penteado, a fachada da rua Alagoas tornou-se a marca registrada da instituiçã |
Celita foi além e superou, de longe, os ideais bem mais modestos dos condes na viabilização, democratização e, claro, expansão da sua iniciativa cultural. Assim, além dos 8 mil alunos inscritos nos cursos de graduação, dos 5 mil na pós-graduação e dos 350 alunos matriculados no Colégio (criado há dezessete anos) em São Paulo, a FAAP chega, agora, a Ribeirão Preto e a São José dos Campos. Serão 800 vagas para cursos de pós-graduação e MBA, entre os quais está o inovador curso de Gerente de Cidade, além de Agronegócios, Administração para Engenheiros e Arquitetos, para Marketing e Varejo, Recursos Humanos, Tecnologia e Gestão Ambiental e Gestão de Logística Empresarial. Além de cursos livres nas áreas de moda, artes visuais, cênicas, design e fotografia.
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FAAP Ribeirão Preto: preservação do estilo neoclássico na fachada |
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"O investimento, da ordem de R$ 21 milhões, foi realizado com recursos da própria Fundação", explica Celita. Vale notar que a bonita arquitetura de inspiração neo-clássica da FAAP também está presente em Ribeirão e São José. Os edifícios assinados por Ricardo Julião são réplicas em menores dimensões do original - desenhada pessoalmente pelo Conde Armando Alvares Penteado - e abrigam além de oito salas de aula, biblioteca, auditório e espaço de exposições. "Nossa arquitetura fala por si do estilo e do espírito da FAAP. É nossa marca registrada, facilmente identificável por todos que conhecem nosso trabalho. Por isso, a opção por esse tipo de baby FAAP", brinca a presidente. E, como tamanho não é documento, coisa que Celita bem sabe, com seu 1, 57 m de forte personalidade, as babies FAAP também não deixam por menos. "São totalmente equipadas com tecnologia Wireless Fidelity (Wi-Fi). Nos jardins, corredores, salas de aula, o aluno pode se conectar à internet ou intranet, sem a necessidade de fios e rever as aulas, quando necessário. As "lousas" são smart boards inteligentes, com recursos gráficos e gravadores. Toda essa tecnologia de ponta contribui para a facilitar e potencializar o aprendizado em até 30%. Beleza, funcionalidade e conforto também sinalizam o padrão FAAP. Todos os ambientes internos de seus campi possuem ar condicionado e mobiliário ergonômico, áreas de convívio realmente agradáveis e estimulantes"- explica Celita.
Celita não pára e seus fiéis escudeiros, que compõem a Diretoria Executiva da Fundação, têm o mesmo ritmo. No cargo de Diretor Presidente, está seu marido Antonio Bias Bueno Guillon, advogado, administrador de empresas e homem do mercado financeiro. Como Diretor Tesoureiro, o advogado paulista Américo Fialdini Jr. e, como Diretor Cultural, o Professor Victor Mirshawka, um dos mentores dos Projetos Reeducação e Qualidade Total. Na FAAP desde 1967, pesquisador sensível e apaixonado por tudo o que diga respeito a conhecimento, gestão e aprendizado, o Professor Victor também dirige a revista Qualimetria, editada pela Fundação.
Com uma Diretoria Executiva enxuta, a FAAP se desburocratizou ganhando em agilidade. "Isso facilita em grande medida a tomada de decisões, o desenvolvimento de projetos, a administração. Velocidade, em nossa atividade, é fundamental. Conseguimos decidir em minutos coisas que outras instituições levam semanas", diz Guillon.
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Em São Paulo, a casa art noveuau dos condes |
Nada mais eloqüente para explicar os fatores determinantes no inquestionável salto de sucesso e qualidade da FAAP nos últimos dez anos que o gráfico de Evolução do Patrimônio Líquido da Fundação, que cresceu exponencialmente, pulando de US$ 5 milhões para US$ 50 milhões, valor estimado para 2004.
Na receita de sucesso da FAAP o principal ingrediente é a opção por um marketing apoiado em iniciativas culturais como exposições de arte, história, arquitetura, moda, design, fotografia, no apoio ao teatro e ao cinema, enfim, todas as disciplinas do gênio humano que sensibilizam seu público potencial.
A FAAP de hoje, entretanto, é o resultado de catorze anos do exercício de uma vontade transformadora firme que caracterizam a gestão de Celita. Nesse período, avanços importantes como os projetos Qualidade Total e Reeducação, que fizeram a FAAP sacudir o panorama da universidade brasileira. Com o afastamento em 1991 de Roberto e Lúcia, Celita assume a Presidência do Conselho de Curadores da Fundação.
"Foi quando começamos nosso trabalho", diz Fialdini. " Com um susto, pois a situação era bem diferente da que imaginávamos. O primeiro problema foi uma indevida intervenção que abalou a saúde financeira da instituição. Mas, em um ano e meio a situação estava resolvida, com ganho de causa para nós, tendo sido eu o advogado no caso. De qualquer modo, a fundação estava deficitária, perdendo dinheiro, tendo prejuízos operacionais", explica. A solução foi combater os prejuízos e a apresentar lucros. " Numa época em que as empresas brasileiras viviam do lucro financeiro e as aplicações apresentavam um rendimento fantástico, nós não tínhamos dinheiro. Pelo contrário, tínhamos que fazer dinheiro", recorda Fialdini. "Nesse meio tempo, veio o Plano Real, que deu um susto em todo mundo que vivia de aplicações. Para nós foi uma maravilha, pois estávamos ajustados e a Fundação continuou dando lucro", sorri o advogado. "Redimensionamos o problema da defasagem das mensalidades atualizando-as pelo padrão de mercado, recuperamos o patrimônio imobiliário e reajustamos os aluguéis. Na seqüência, cuidamos do campus: parte elétrica, recuperação de laboratórios, salas de aula, centro de convenções, banheiros, teatro. Então, chegou a vez da informatização total. Contratamos novos professores e reiniciamos os intercâmbios internacionais."
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