Reuters (21/mai/2003)
Documentos eletrônicos ganham espaço do papel no Brasil

SÃO PAULO, 21 de maio (Reuters) - A digitalização e a criação eletrônica de documentos é um dos segmentos do setor de tecnologia que mais cresce no Brasil. O mercado evoluiu do mero escaneamento de pilhas de papéis para a criação digital de documentos com valor jurídico, estimulado por legislação que reconheceu a assinatura eletrônica. "Não tem outra alternativa. Ou você digitaliza ou morre afogado em papel", alerta o diretor de tecnologia da informação da seguradora Porto Seguro, Emílio Vieira. A empresa, com 2,5 milhões de clientes, usa sistemas de documentos eletrônicos desde 1994 e investe a cada ano "dezenas de milhares de dólares" para melhorar a tecnologia.

A Adobe, criadora da tecnologia PDF de formatação de documentos eletrônicos que virou padrão na indústria, estima que o mercado brasileiro esteja crescendo cerca de 25 por cento ao ano. "Acredito que o mercado brasileiro fature cerca de 1,5 a dois por cento das vendas mundiais por ano", disse o diretor geral da Adobe Sytems para América Latina, Leandro Hernandez. As vendas de sistemas de documentos eletrônicos no mundo giram em torno de 9 bilhões de dólares por ano, o que movimentaria até 180 milhões de dólares no Brasil. "Muitas empresas estavam digitalizando documentos para conservá-los. Porém, muitos dos processos que eram feitos em papel estão sendo migrados para meios digitais", comentou o executivo.
O gerente de tecnologias de gerenciamento de informação da IBM, Rogério Inomata, acredita que custos menores impulsionaram o crescimento rápido do setor. Segundo ele, "as empresas compram mais soluções porque se sentem mais seguras com a tecologia e porque houve uma redução nos custos com infra-estrutura, como armazenamentro, transmissão de dados e scanners".

Outro motivo para o crescimento está em uma medida provisória aprovada em 2001 que dá validade jurídica a documentos eletrônicos que tiverem assinaturas digitais emitidas por entidades aprovadas pelo governo. Uma assinatura digital é um código eletrônico que funciona como uma identidade do autor do documento, o que garante a sua veracidade.
A empresa nacional CertiSign é uma dessas seis autoridades do país que podem emitir assinaturas digitais. A empresa vendeu, em 2002, 50 mil "identidades eletrônicas" por preços que variavam de 15 a 3 mil reais e estima para este ano um mercado de 1 milhão de certificados. "Muitas empresas estão acordando para os documentos eletrônicos e estão loucas para terem soluções nesta área", disse o diretor da CertSign, Sérgio Kulikovsky, apostando que o mercado local vai viver uma explosão.

SEM PAPEL, SEM TINTA
O Centro Nacional de Desenvolvimento do Gerenciamento da Informação (Cenadem), empresa privada que reúne dados do setor, prevê que o número de implantações de sistemas de documentos eletrônicos cresça 56 por cento este ano em relação ao ano passado. Entre os principais setores interessados estão os bancos, que processam bilhões de cheques e os arquivam por cinco anos, instâncias governamentais e empresas de infra-estrutura, como energia e telecomunicações. Estas três áreas representam 60 por cento de todo o mercado nacional de gestão de documentos eletrônicos.

Mas outras áreas, como a de educação, começam a se mexer. A Fundação Armando Alvares Penteado (Faap) adotou no final do ano passado um sistema para eliminar 15 toneladas de documentos em papel produzidos anualmente por cerca de 14 mil alunos e mil professores. Em um ano, a Faap pretende ter 80 por cento dos documentos --burocracia e pesquisa-- tramitando pela rede interna (Intranet). "O sistema aumenta a transparência nos processos e dá maior agilidade à Fundação", disse o responsável pela rede, Rafael Possik.

Além de marcar pontos na preservação do meio-ambiente, o uso da tecnologia também é uma questão de economia para a Faap, que espera economizar até 600 mil reais por ano somente em cartuchos de tinta para impressoras.

Por Alberto Alerigi Jr.; editado por Renata de Freitas

fonte: www.reuters.com