|
SÃO PAULO, 21 de maio (Reuters) - A digitalização e a criação eletrônica de documentos é um dos segmentos do setor de tecnologia que mais cresce no Brasil. O mercado evoluiu do mero escaneamento de pilhas de papéis para a criação digital de documentos com valor jurídico, estimulado por legislação que reconheceu a assinatura eletrônica. "Não tem outra alternativa. Ou você digitaliza ou morre afogado em papel", alerta o diretor de tecnologia da informação da seguradora Porto Seguro, Emílio Vieira. A empresa, com 2,5 milhões de clientes, usa sistemas de documentos eletrônicos desde 1994 e investe a cada ano "dezenas de milhares de dólares" para melhorar a tecnologia. A Adobe, criadora da tecnologia PDF de formatação de documentos eletrônicos que virou padrão na indústria, estima que o mercado brasileiro esteja crescendo cerca de 25 por cento ao ano. "Acredito que o mercado brasileiro fature cerca de 1,5 a dois por cento das vendas mundiais por ano", disse o diretor geral da Adobe Sytems para América Latina, Leandro Hernandez. As vendas de sistemas de documentos eletrônicos no mundo giram em torno de 9 bilhões de dólares por ano, o que movimentaria até 180 milhões de dólares no Brasil. "Muitas empresas estavam digitalizando documentos para conservá-los. Porém, muitos dos processos que eram feitos em papel estão sendo migrados para meios digitais", comentou o executivo. Outro motivo para o crescimento está em uma medida provisória aprovada em 2001 que dá validade jurídica a documentos eletrônicos que tiverem assinaturas digitais emitidas por entidades aprovadas pelo governo. Uma assinatura digital é um código eletrônico que funciona como uma identidade do autor do documento, o que garante a sua veracidade. SEM PAPEL, SEM TINTA Mas outras áreas, como a de educação, começam a se mexer. A Fundação Armando Alvares Penteado (Faap) adotou no final do ano passado um sistema para eliminar 15 toneladas de documentos em papel produzidos anualmente por cerca de 14 mil alunos e mil professores. Em um ano, a Faap pretende ter 80 por cento dos documentos --burocracia e pesquisa-- tramitando pela rede interna (Intranet). "O sistema aumenta a transparência nos processos e dá maior agilidade à Fundação", disse o responsável pela rede, Rafael Possik. Além de marcar pontos na preservação do meio-ambiente, o uso da tecnologia também é uma questão de economia para a Faap, que espera economizar até 600 mil reais por ano somente em cartuchos de tinta para impressoras. Por Alberto Alerigi Jr.; editado por Renata de Freitas fonte: www.reuters.com |
|||
|
|||