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Digitalização de documentos jurídicos ganha valor (23/mai/2003)
DouradosAgora.com.br
A digitalização e a criação eletrônica
de documentos são segmentos do setor de tecnologia que mais crescem
no Brasil. O mercado evoluiu do mero escaneamento de pilhas de papéis
para a criação digital de documentos com valor jurídico,
estimulado por legislação que reconheceu a assinatura eletrônica.
"Não tem outra alternativa. Ou você digitaliza ou morre
afogado em papel", alerta o diretor de tecnologia da informação
da seguradora Porto Seguro, Emílio Vieira.
A empresa, com 2,5 milhões de clientes, usa sistemas de documentos
eletrônicos desde 1994 e investe a cada ano "dezenas de milhares
de dólares" para melhorar a tecnologia.
A Adobe, criadora da tecnologia PDF de formatação de documentos
eletrônicos que virou padrão na indústria, estima
que o mercado brasileiro esteja crescendo cerca de 25%.
"Acredito que o mercado brasileiro fature cerca de 1,5% a 2% por
cento das vendas mundiais por ano", disse o diretor geral da Adobe
Systems para América Latina, Leandro Hernandez. As vendas de sistemas
de documentos eletrônicos no mundo giram em torno de US$ 9 bilhões
por ano, o que movimentaria até US$ 180 milhões no Brasil.
"Muitas empresas estavam digitalizando documentos para conservá-los.
Porém, muitos dos processos que eram feitos em papel estão
sendo migrados para meios digitais", comentou o executivo. O gerente
de tecnologias de gerenciamento de informação da IBM, Rogério
Inomata, acredita que custos menores impulsionaram o crescimento rápido
do setor.
Segundo ele,"as empresas compram mais soluções porque
se sentem mais seguras com a tecnologia e porque houve uma redução
nos custos com infra-estrutura, como armazenamento,transmissão
de dados e scanners". Outro motivo para o crescimento está
em uma medida provisória aprovada em 2001 que dá validade
jurídica a documentos eletrônicos que tiverem assinaturas
digitais emitidas por entidades aprovadas pelo governo. Uma assinatura
digital é um código eletrônico que funciona como uma
identidade do autor do documento, o que garante a sua veracidade.
A empresa nacional CertiSign é uma dessas seis autoridades do país
que podem emitir assinaturas digitais. A empresa vendeu, em 2002, 50 mil
"identidades eletrônicas" por preços que variavam
de R$ 15 a R$ 3 mil reais e estima para este ano um mercado de 1milhão
de certificados. "Muitas empresas estão acordando para os
documentos eletrônicos e estão loucas para terem soluções
nesta área", disse o diretor da CertiSign, Sérgio Kulikovsky,
apostando que o mercado local vai viver uma explosão. Sem papel,
nem tinta. O Centro Nacional de Desenvolvimento do Gerenciamento da Informação
(Cenadem), empresa privada que reúne dados do setor, prevê
que o número de implantações de sistemas de documentos
eletrônicos cresça 56% este ano em relação
ao ano passado.
Entre os principais setores interessados estão os bancos, que processam
bilhões de cheques e os arquivam por cinco anos, instâncias
governamentais e empresas de infra-estrutura, como energia e telecomunicações.
Estas três áreas representam 60% de todo o mercado nacional
de gestão de documentos eletrônicos. Mas outras áreas,
como a de educação, começam a se mexer. A
Fundação Armando Alvares Penteado (Faap) adotou
no final do ano passado um sistema para eliminar 15 toneladas de documentos
em papel produzidos anualmente por cerca de 14 mil alunos e mil professores.
Em um ano, a Faap pretende ter 80% dos documentos - burocracia
e pesquisa - tramitando pela rede interna (Intranet). "O sistema
aumenta a transparência nos processos e dá maior agilidade
à Fundação", disse o responsável pela
rede, Rafael Possik.
Além de marcar pontos na preservação do meio-ambiente,
o uso da tecnologia também é uma questão de economia
para a Faap, que espera economizar até R$ 600
mil por ano somente em cartuchos de tinta para impressoras.
Fonte: http://www.douradosagora.com.br/not-view.php?num=34531
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