Esforço que compensa

Grande parte das inscrições para os programas de trainees nas principais empresas do país terminam no fim do mês. Mas a disputa por uma vaga é muito grande e o candidato passa por provas, entrevistas e dinâmicas de grupo.

Grande parte das inscrições para os programas de trainees nas principais empresas do país terminam no fim deste mês. A disputa é muito maior do que no vestibular. Em alguns casos são três mil candidatos por vaga.

Os trainees são considerados a nata dos recém-formados e são preparados para assumir cargos de chefia. Para virar um trainee, o caminho é longo e passa por provas, entrevistas e dinâmicas.

Com apenas 27 anos, Marcelo Bouhid chefia uma equipe de 14 pessoas numa multinacional. A virada na carreira começou em 2001. Ele disputou uma vaga de trainee com 33 mil pessoas. Depois de seis meses de provas, entrevistas e dinâmicas, foi selecionado.

“Eu fiquei conhecendo o modo de trabalhar de várias áreas. Além disso, temos a possibilidade de trabalhar um mês junto com o diretor da área” – disse Bouhid.

Em uma disputa tão acirrada, um bom currículo é apenas o começo. “É um caminho longo a se percorrer, mas é o gargalo que as empresas têm de fazer. Começa com conhecimentos técnicos. Depois, eles vão aprimorando. Se ele estiver apto, a empresa contrata. Fora a isso, ele está fora do mercado” – disse a coordenadora da Central de Estágios, Simone Tavit.

Ao contrário do estágio, para entrar no programa de trainee é preciso estar no último ano ou formado. Essa é uma fase que se tornou mais difícil até do que o próprio vestibular. Fazer a passagem da faculdade para o mercado de trabalho tem sido um grande pesadelo dos novos profissionais.

“É difícil. A gente fica meses esperando a resposta. A gente faz a seleção durante meses. Fica aquela angústia. Na faculdade a gente brinca que o vestibular é fácil, difícil é sair da faculdade empregado” – falou a universitária Raquel Silveira.

As empresas vêem no trainee um chefe em potencial e investem no treinamento que pode durar até três anos. Quem é selecionado já entra com carteira assinada e recebe salário maior do que o de um recém-formado.

“Ao final o resultado é um profissional com características importantes de liderança desenvolvidas e um profissional com coragem, com iniciativa e com vontade fazer a diferença dentro do processo” – definiu o coordenador de Programa de Trainee, Gilson Filho.

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