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Potências emergentes como líderes globais

Por Isabel Roth
Aluna de Relações Internacionais e
estagiária do Centro Brasileiro de
Relações Internacionais (CEBRI)

No dia 23 de novembro de 2010, a Faculdade de Economia recepcionou, em parceria com o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI), os analistas internacionais David Shorr, da Stanley Foundation, e Alan Alexandroff, diretor do Grupo de Pesquisa do G-20 da Munk School of Economics, da Universidade de Toronto. Com a mediação do jornalista e professor William Waack, os palestrantes discorreram sobre o tema Emerging Powers as Global Leaders: Comparing North American and Brazilian Views.

A questão que norteou as primeiras falas dos palestrantes disse respeito à importância brasileira no cenário internacional contemporâneo. Shorr iniciou sua fala reconhecendo a ascensão do poder político brasileiro no sistema internacional (SI) no decorrer dos últimos anos, mas demonstrou preocupação em relação à falta de posicionamento do Brasil quanto a questões prioritárias da agenda internacional. Segundo ele, é necessário que haja um alinhamento das práticas dos países de influência política global para que se garanta a viabilização do debate acerca de temas de interesse comuns à comunidade internacional. Embora os Estados Unidos da América (EUA) permaneçam ocupando uma posição-chave na dinâmica das relações internacionais, faz-se cada vez mais necessária a inserção de novos Estados nos processos de resolução de problemas globais, seguindo uma tendência ao debate multilateral e à cooperação. Neste cenário, torna-se evidente a expectativa norte-americana acerca de um posicionamento brasileiro como um novo pólo de liderança global: espera-se que o Brasil seja capaz de contribuir para a administração de assuntos globais, e assim, fundamentar seu discurso de potência emergente. Com isso, propõe-se a possível inversão dos fatores determinantes do status de potência: viria antes o reconhecimento desse status ou a iniciativa de liderar debates sobre temas prioritários da agenda internacional?

Alexandroff, por sua vez, comentou em sua fala a importância dos jovens internacionalistas ampliarem seus conhecimentos, através de viagens e intercâmbios a países da América do Norte e Ásia, de modo a compreender outras formas de pesquisa e análise das tendências políticas e econômicas mundiais. Em seguida, apresentou uma crítica consistente à conduta inexpressiva da política externa brasileira quanto a assuntos prioritários na agenda internacional. Exemplificou sua tese com os casos da Cúpula do G-20 em Seul, da qual o presidente ausentou-se, e as críticas pouco eficientes das instituições financeiras brasileiras contra a guerra cambial, fenômeno que vem se intensificando de forma progressiva e danosa ao comércio internacional.

Após os primeiros posicionamentos, Waack comentou as colocações dos dois palestrantes, sinalizando de forma bastante concisa sua visão crítica acerca da conduta diplomática brasileira durante a gestão do presidente Lula, a qual classificou de política partidária. Indagou se o Brasil enxerga com clareza o desencadeamento de fatos ocorridos no plano internacional, sugerindo que o Ministério das Relações Exteriores possa estar orientado por uma visão desvirtuada das relações internacionais contemporâneas.

Após essa colocação, Alexandroff recorreu à expressão americana “Pay to play” para fundamentar sua opinião de que o caminho que o Brasil tem a percorrer exigirá o reconhecimento de certas responsabilidades para com os demais atores internacionais do SI, correndo o sério risco de ser passado para trás pelas outras potências emergentes – tais como China e Índia. Assim, encerrou sua fala com o questionamento implícito à plateia: qual é o papel que caberá ao Brasil desempenhar no plano internacional nessa nova configuração da Ordem Mundial? Feita a provocação, os ouvintes tiveram a oportunidade de perguntar diretamente a ambos os palestrantes suas impressões. As perguntas abordaram um amplo leque temático, passando pelas expectativas norte-americanas em relação ao governo Dilma, pela indagação de como deveria ser o envolvimento das potências emergentes no jogo político internacional e de que forma esses atores deveriam demonstrar seu comprometimento e como suas responsabilidades deveriam ser compartilhadas.

Fotos e legendas


Prof. Luiz Alberto Machado, vice-diretor da Faculdade de Economia, Isabel Roth, estudante de Relações Internacionais da FAAP e estagiária do CEBRI, David Shorr, da Stanley Foundation, Alan Alexandroff, diretor do Grupo de Pesquisa do G-20 da Munk School of Economics, William Waack, jornalista e professor do curso de Relações Internacionais da FAAP, e Georges Landau,
professor e consultor sênior do CEBRI.


William Waack faz a abertura do Painel sobre o tema Emerging Powers as Global Leaders: Comparing North American and Brazilian Views


Alan Alexandroff e William Waack acompanham a exposição de David Shorr.

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